Sobre o que supostamente move a atenção de quem lê blogs; ou In praise of colaborative writing

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Num mundo perfeito, todos teriam blogs. Pouco importa se música, fotos, vídeos, desenhos, receitas, impressões sobre filmes vistos, comidas saboreadas, embates esportivos e, é claro, política, todos tem algo a dizer ou mostrar. Mais interessante do que aquilo que se vê, ouve ou lê na mídia na maioria das vezes. Lamentavelmente, ainda são bem poucos os que percebem (pois só a isto consigo imputar a letargia de escolas, mesmo as de alunos mais abastados, em sua implementação curricular) os enormes benefícios da utilização de blogs para o ensino de redação ou ainda, num sentido mais amplo, configurações mais conectadas e descentralizadas de autoria..

Tal contexto utópico é o oposto perfeito do modelo experimentado na cultura de broadcasting em que estamos imersos – na qual, por definição, as vozes de poucos se fazem ouvir em prejuízo das vozes silenciadas da maioria. Em quaisquer meios, reverberam apenas as vozes de uns poucos políticos, religiosos, autores (ocultos por trás de atores e personagens) e anunciantes (invariavelmente grandes empresas, pois o limiar inferior de anúncio em toda grande mídia exclui, por definição, todo pequeno anunciante. Tal desequilíbrio (determinado, por assim dizer, por… investimento publicitário, na propagação de vozes de diferentes grupos) ocorre igualmente na política, na religião, na mídia e em toda a parte onde interesses colidam.

Então, só para, de vez em quando, fazer algo útil (já que, ultimamente, venho sendo, como pode ver quem acompanha o que é postado neste blog, taxado de inútil, improdutivo ou ocioso (como se o último fosse um defeito !)), deixo, neste post e noutros vindouros, à guisa de sugestão, anotações sobre hábitos que conspiram para a manutenção de um blog, senão bom, ao menos legível.

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Tenho por bem, ao publicar, me ater a recomendações de outros mais experientes do que eu. Consoante a isto, ao longo dos anos aprendi que

posts com figurinhas são mais visitados do que aqueles em texto puro; por isto, sempre que termino de escrever algo novo (invariavelmente um texto puro), procuro na web as imagens que melhor o possam ilustrar;

leitores evitam títulos em língua estrangeira. Tão somente por isto, parei de insistir em iniciar títulos de postagens com expressões em inglês como, por exemplo, on conducting ou on writing. Assim, sem desistir por completo das categorias em inglês (que acho bem úteis para fins de catalogação), passei, no entanto, a lhes posicionar, a conselho de meu editor, não mais no início mas no final dos títulos de cada post;

textos com vocativos claros (isto é, que falam inequivocamente de uma pessoa (tais como as cartas abertas a um secretário de estado, a um gestor de uma fundação estatal ou, ainda, mais recentemente, em defesa da diretora de uma unidade de uma universidade federal) despertam nos leitores muito mais interesse do que aqueles aludindo exclusivamente a questões abstratas, teóricas, hipotéticas ou, simplesmente, impessoais. Ou, como bem disse um amigo, “as pessoas querem é ver sangue”. Tanto reconheci tal evidência que declarei, há tempos, chistosamente, que, doravante, só escreveria cartas abertas.

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Ainda há muito a aprender. Talvez não devesse, ao escolher um título ou um tema, dar tanta importância aos preceitos acima. Pois, mais do que quaisquer índices de visitação absoluta, me parece muito mais importante, para qualquer coisa postada na web, a quantidade e a relevância dos comentários por ela ensejados. Tanto que, de uns tempos para cá, venho cada vez mais trazendo para a permanência do blog threads de comentários deixados no facebook sob postagens de divulgação de novidades por aqui. Até por que, muitas vezes, suplantam em precisão e profundidade tudo o que foi dito no caput. Tenho para mim esta como sendo uma das principais virtudes de todo discurso produzido na web – que é, por natureza, colaborativo.