Flash food (ii): penne tricolore com salmão grelhado

Já falei aqui que um dos melhores coringas culinários é uma massa guardada cozida. Não faz sentido algum se cozinhar menos do que um pacote de 500 gramas de qualquer massa – o que, por sua vez, será muito para saciar o apetite de duas pessoas. Então, a metade de um pacote de massa, devidamente cozido e protegido contra a desidratação por um filme de pvc na geladeira, é de um valor inestimável para qualquer cozinheiro.

Foi assim que acabei guardando um generoso prato de penne tricolore que sobrou de outra reciclagem – a saber, de uns escalopes da picanha que restou do churrasco do último fim de semana. Sobre churrascos, cabe um parêntesis. Faz tempo que abandonei os espetos em favor da grelha (parrilla), que permite um controle bem maior sobre o ponto em que desejamos assar cada corte, de acordo com a preferência de cada comensal. Já praticava há algum tempo com bifes de vazio e assados de tira, mas  descobri recentemente como também assar picanhas na grelha. Se houver interesse, explico.

Bem, onde estávamos ? Sim, na massa que sobrou dos escalopes de picanha de ontem. Fui ao supermercado determinado a adquirir uns pedaços congelados de salmão, individualmente acondicionados a vácuo, de ca. 180 gramas cada um, ao valor de ca. 18 reais por pedaço. Só que, lá chegando, comprei quase meio quilo de filé de salmão por menos de 25 reais – bem menos, portanto, do que qualquer filé num restaurante decente.

O preparo não podia ser mais rápido. Enquanto requentava a massa em forno de micro-ondas, tirei a pele do salmão e o temperei com sal, ervas finas e um tempero composto para peixes. Derreti manteiga numa panela de fundo grosso com tampa (evitem grelhar salmão em panelas ou frigideiras sem tampa pois, deste modo, a catinga do peixe se impregnará no ambiente por vários dias) e nela dorei o salmão rapidamente de ambos os lados.

O salmão é um peixe que tende a se tornar seco, de difícil deglutição, quando cozido em demasia. Por isto, evitem o forno e prefiram sempre os grelhados breves. Se ficar meio cru no centro do corte, melhor. Como um sashimi selado. E só deitem os filés na panela aquecida quando todos os comensais estiverem a postos. Devoramos com um vinho frisante rosé português.

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Este novo “post culinário” se deve, principalmente, ao tempo de pesquisa e amadurecimento necessários para o próximo “assunto sério” – a saber, a inexplicavelmente pouco falada reforma do judiciário, tão necessária quanto a decepcionante reforma política que nos querem fazer descer goela abaixo.