Por que deixei de ser escoteiro

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Sempre amei as atividades das tardes de sábado e noites de quarta do Grupo Escoteiro George Black. Mais ainda os acampamentos e acantonamentos. Se hoje consigo me virar bem na maioria das coisas práticas, devo isto, indubitavelmente, a minha vida escoteira. De modo que eu estaria disposto a recomendar o movimento para qualquer jovem em idade escolar, não fossem dois senões, esmiuçados a seguir.

Eu havia me saído bem em todas as provas para me tornar de escoteiro noviço e de segunda classe, colecionando as respectivas insígnias, quando, prestes encarar os últimos ritos para me tornar um escoteiro de primeira classe, meus chefes abandonaram repentinamente sua disposição, demonstrada em ocasiões anteriores (i.e., nas provas de noviço e segunda classe), de fazer, na prova de religião, vista grossa a minhas convicções ateias. E, posto que a prova deveria ser “assinada” pelo líder religioso que eu seguisse (no caso, o pároco da igreja onde eu fora batizado, o qual sequer me conhecia), jamais logrei passar naquela prova. Aí começou meu desinteresse pelo movimento.

Paralelamente, a curiosidade me levou, alertado por boatos, a pesquisar (naquele tempo não havia a wikipedia nem a web !) em outras fontes a polêmica biografia de Lord Baden-Powell, o grande mentor do movimento. Nessas leituras, fiquei sabendo que o fundador, reverenciado por milhares, talvez milhões, de escoteiros, escotistas (chefes de escoteiros) e simpatizantes ao redor do planeta como um educador visionário foi também o principal responsável pela dizimação de tribos inteiras em campanhas militares colonialistas britânicas no continente africano. Para não entrar em muitos detalhes, basta pesquisar sobre a Guerra dos Boers.

Aquilo foi demais para mim.

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Update: copio abaixo, pela relevância, uma contribuição deixada por André Serrano sob a divulgação deste post no facebook (por natureza, muito mais interativo do que este blog). Se tiverem tempo, não deixem de abrir o link ao fim do comentário.

” chamei a atenção de alguns chefes sobre as verdades que estão vindo à tona… parecem fazer pouco caso dos fatos… acho que preferem a negação a terem de dar o braço a torcer de que continuam a ajudar a glorificar um homem que não tem nenhum merecimento.
a falta destas informações era total, na nossa época.
por isso os chefes estão, por mim pelo menos, perdoados.
mas não perdoo os chefes de hoje, pela recusa de pesquisar sobre as verdades… chega a ser contra o próprio movimento essa negação, esse pacto com a mentira, esse faltar com a palavra pra sí próprio.
“sempre alerta”?!!! sei……
aqui vai UM dos vários links:
http://www.theatlantic.com/…/christopher…/272683/