A Outra Mulher (França, 2018)

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No último domingo assistimos, Astrid e eu, a um forte candidato ao título de pior filme de 2018 – a saber, Amoreux de ma femme, de Daniel Auteuil, lastimavelmente traduzido como A Outra Mulher.

Dirigido pelo próprio protagonista, a comédia começa bem, num hilário jantar com dois casais, organizado por dois amigos e realizado à revelia da esposa de um deles, amiga daquela de quem o outro recém se divorciara, no qual o anfitrião tenta em vão disfarçar seu avassalador encantamento pela nova namorada do outro. Enquanto entretenimento, até aí tudo bem. Boas risadas garantidas.

A coisa se complica ao se iniciar um previsível (logo entenderão por que) vai-vém entre fantasia (o improvável idílio de um dos amigos com a namorada do outro) e a realidade de seu amor por sua esposa. Já vi vários filmes assim, nos quais uma situação retratada com cores realistas, como só o cinema é capaz (vá lá, a literatura também), acaba por se revelar totalmente fantasiosa.

Dramaticamente, isto funciona uma única vez em cada obra. Se, no entanto, a alternância entre as duas situações, fantasia e realidade, se repete, é como querer que se ria de uma mesma piada várias vezes, mais ou menos como se alguém dissesse: ” Não entendeu ? Peraí que vou contar de novo de outro jeito que é prá ver se você entende. “ Ora, nenhum contador de piadas alcançaria qualquer êxito procedendo desta forma. Ainda assim, é o que o ator/diretor faz insistentemente em seu patético filme. Neste contexto, de nada adiantam os exuberantes cenários em Paris, Veneza e Ibiza (sim, a produção deve ter sido bem cara) para sustentar o interesse de espectadores mais exigentes.

Soube de outras críticas desfavoráveis ao filme, tendo a ver mais com a rasura das personagens (feministas ficaram, com razão, irritadíssimas) – pelas quais não tive, no entanto, a menor curiosidade. Para quem quiser, o Google está aí.

Saí do cinema pensando no que faz um ator consagrado como Auteuil manchar sua biografia assinando a direção de uma coisa assim.

 

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