A maldição da abertura da Força do Destino, de Verdi

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No creo en brujas, pelo que las hay, las hay

Provérbio espanhol

Recentemente, mal acabáramos de tocar, com a OSPA, num concerto ao ar livre no Jardim Botânico de Porto Alegre, a abertura da ópera A Força do Destino, de Giuseppe Verdi, quando uma violenta tempestade se abateu sobre a cidade, literalmente varrendo tanto o palco como as tendas de apoio à orquestra e à equipe técnica, felizmente sem feridos graves e apenas com danos materiais. O incidente repercutiu com força na mídia e foi amplamente comentado.

Mesmo sem ser supersticioso, me lembrei de pronto de um espetáculo que reuniu Luciano Pavarotti e Roberto Carlos no estádio Beira-Rio em 1998, para o qual estava programada a célebre abertura. Acontece que no ensaio geral, já no estádio, precisamente durante a execução da obra fatídica, uma gigantesca coluna cenográfica, construída em madeira compensada, desabou sobre a orquestra perplexa. Felizmente também desta vez, todos correram do jeito que puderam, se desviando da trajetória do objeto que despencava, que terminou partido sobre o encosto de uma cadeira onde, segundos atrás, estava sentado um músico. Lembro que, na ocasião, tentamos documentar em fotos o incidente, no que fomos imediatamente reprimidos por membros da equipe de segurança do tenor.

Foi então que Pavarotti, saindo fleumaticamente de sua tenda/camarim e tomando ciência do ocorrido, imediatamente cancelou, numa decisão denotando ao mesmo tempo grande experiência e sabedoria, a execução da abertura no concerto da noite vindoura.

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De outra feita, um ovni foi documentado durante uma apresentação da OSPA em Tapera, RS, instantes depois que o maestro em exercício convocara o público, como já vinha fazendo em tom jocoso há algum tempo, para observar no céu a passagem do E.T. andando de bicicleta enquanto a orquestra executava a música tema do filme. Moral da história: mesmo que você não acredite em fantasmas, bruxas e outras entidades sobrenaturais, é prudente se abster de mexer com eles.

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Update: aqui, o relato de Walter Schinke, contrabaixista que também testemunhou a queda da coluna no ensaio de Pavarotti e Roberto Carlos com a OSPA no Beira-Rio em 1998.

Uma resposta para “A maldição da abertura da Força do Destino, de Verdi”

  1. Boa Augusto. Muito bem escrito. Fiz uma crônica desse evento da coluna que caiu no Beira Rio. É da coleção do Benevides. Se quiseres ler, é só entrar na página do Benavidesdobaixo no FB.
    Abraço.

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