Da enorme vantagem das aulas de instrumentos musicais em grupo sobre as individuais

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The Despair of a Mother Teaching Music to her First Born

Torno, como prometido, ao problema das aulas de instrumento musical individuais ou em grupo. Fui ensinado a tocar a clarineta em aulas exclusivamente individuais (salvo raras masterclasses, não mais do que uma ou duas ao ano). Assim, incumbido de ensinar o instrumento, simplesmente reproduzi, de início, o modo como fora ensinado. Com o tempo, terminei por duvidar da eficácia das aulas individuais, uma vez ter se tornado evidente que,

embora alunos não tenham vergonha de tocar mal diante de seus professores

(notem, num rápido exame de memória, como toda aula individual de instrumento começa com uma confissão de menos estudo do que o desejado, seja por problemas pessoais, familiares, sobrecarga acadêmica ou afins; com o tempo, professores passam a esperar cada vez menos de alunos, e vice-e-versa);

sentem, outrossim, vergonha de tocar mal diante de seus pares.

De fato, é tão somente ouvindo rotineiramente as aulas de colegas que alunos adquirem  um sentido de classe e, portanto, de objetivos comuns (preservada, é sempre bom lembrar, a singularidade de cada um !) a serem perseguidos. Outra enorme vantagem de ensinar a uma classe ao invés de por meio de aulas individuais é que, tendo que tocar sozinhos semanalmente diante de uma classe, alunos são precocemente forçados a lidar com a exposição pública.

É importante, aqui, deixar claro estarmos nos referindo a alunos tocando sozinhos ou, preferencialmente, com o auxílio de um piano – mas jamais em uníssono ou mesmo em conjuntos de clarinetas. Cabe, talvez, acrescentar que, ainda que muitos ingressem nos cursos de graduação e extensão com bastante experiência de execução de partes em naipes numerosos, poucos possuem alguma experiência prévia em repertório solo, tanto de recital como de concerto. É deixando claro a todos, por meio da execução de colegas, que nosso objeto de trabalho é restrito a esta última literatura que tantos desistem tão cedo. Mas aí já estou falando de outro assunto prometido, o estímulo à desistência precoce. Melhor deixar para outro post.

* * *

Então. Ao mesmo tempo, me perguntava

até que ponto se deve assegurar a um aluno de uma escola pública gratuita o direito a ter aulas individuais, ao modo de como ainda é feito em grande parte da instrução musical privada ?

Pelas razões acima, entendi que, como professor público, só deveria dar aulas públicas. Mesmo que, por vezes, só para um ou dois alunos. Com sorte, quatro ou cinco. Mas o fato de se ouvirem mutuamente faz com que desistam ou progridam muito mais rápido do que se condenados à monotonia da instrução regular individual.

Pensando mais sobre o custo/benefício de instrução musical grupal X individual, se chega rapidamente à constatação de que aulas individuais são, por definição, muito mais repetitivas do que as em grupo. Ao mesmo tempo, alunos prestam notoriamente mais atenção no que é dito em aulas grupais do que nas individuais. Como resultado, professores mais experientes tendem, depois de certo tempo de prática pedagógica, a convergir para uma metodologia mais programática, prescritiva, “one size fits all”; em prejuízo da escuta clínica que predomina em toda masterclass (aula coletiva).

Sei, no entanto, que a instrução instrumental individual tem defensores ferrenhos. Apaixonados, até. Gostaria muito de ouví-los !

music lesson 4

 

 

 

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