De como Lula abdicou de qualquer pretensão eleitoral para 2018

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Ontem acirrei os ânimos em meu perfil no facebook (oba !) ao mencionar, só de raspão, a absurda necessidade que certos petistas de carteirinha têm de blindar o Lula. Como se, para ser convincente, só ter carisma bastasse – e ele fosse, sei lá, uma espécie de Fidel. Deve haver por aí quem pense assim, ou sua figura já teria sido há muito esquecida pelo PT.

Lula deve ter recebido enfáticas recomendações para que, ao teimar em se defender perante a nação de acusações vazias recebidas na véspera, não falasse de improviso em hipótese alguma. Inutilmente, no entanto. Pois improvisou. E no meio de todas as asneiras que provavelmente disse (me poupei do discurso completo), proferiu o monumental disparate de comparar, favoravelmente aos primeiros, políticos com funcionários públicos concursados.

Ou seja, de um lado,

oportunistas que recebem até 14 polpudos salários anuais para prestarem expedientes reduzidíssimos, se aposentando com o teto dos vencimentos depois de apenas 8 anos de trabalho em ambientes confortáveis e privilegiados;

e, de outro,

profissionais capacitados que tiveram sua proficiência averiguada em certames isonômicos para trabalharem jornadas extensas em condições frequentemente adversas e receberem aposentadorias proporcionais só depois de 30 ou 35 anos.

Foi bastante fácil encontrar no youtube (não precisei perguntar no facebook !) a fala desastrosa do Lula. Vejam:

https://www.youtube.com/watch?v=JimiFiHyWzM

Não preciso dizer que estas poucas palavras, que nenhum marketeiro ou assessor aprovaria (daí minha insistência para que, no horário de propaganda eleitoral gratuita, fossem transmitidos obrigatoriamente, em vez das ridículas peças publicitárias com que somos bombardeados, reality shows com os candidatos) – ganharam imediatamente toda a mídia e as redes sociais. Ainda não tivemos tempo de conhecer os melhores memes. Com elas, Lula conseguiu, por puro erro de avaliação, irritar profundamente tanto seus adversários políticos (representados como categoria em sua fala ultrajante) quanto sua imensa base de apoio – constituída, vale lembrar, por uma enorme quantidade de funcionários públicos.

Então, se Lula tinha qualquer pretensão eleitoral para 2018, dela abdicou ontem à noite, diante de uma nação divertida (adversários e detratores) e estupefata (aliados e admiradores). O que me restou disto tudo foi a profunda convicção de que, embora não possa provar, quem ainda ficou a seu lado o faz por razões estritamente econômicas. Ou, talvez, ingenuidade. Pois todo ser humano merece o benefício da dúvida. Até o Lula.

* * *

PS: fui alertado pelo José Neves que o vídeo que ilustra a postagem acima foi removido pelo usuário. Então, quem quiser conferir o polêmico trecho do discurso de desagravo de Lula encontrará várias postagens do mesmo nesta pesquisa.

 

6 respostas para “De como Lula abdicou de qualquer pretensão eleitoral para 2018”

  1. Por mais absurda que tenha sido a fala do Lula, isso não significa o fim da sua carreira, por dois motivos: seus asseclas adoram qualquer asneira que ele diga (nem ao menos analisam a coerência) e em segundo lugar… o povo esquece… Basta ele falar coisas mais coerentes, bonitas e confortáveis próximo das eleições que a manada vai atrás.

    1. Então a próxima eleição presidencial será uma disputa pela memória: enquanto lulistas farão de tudo para que o povo esqueça, duvido que seus opositores deixem.

  2. Que bobagem! O que ele disse talvez tenha sido mal colocado, deixando cacos no ar, mas o discurso de que todo político ladrão é que é uma balela manipuladora, tem que ser mesmo denunciado. Ele ressalta que o político – e aí sendo corrupto ou não – tem que obrigatoriamente lutar para permanecer, nas urnas, o servidor concursado obviamente, não. Se explicasse mais detalhadamente seria melhor, mas todo mundo sabe que a corrupção está entre todos nós, sejamos nós políticos, servidores, médicos, garis, empreiteiros, advogados, padeiros etc… Quanto à pretensão eleitoral de Lula estar morta, outra balela. O que vai dizer se ele tem ou não chances em 2018 é o que vai acontecer daqui pra frente.

  3. sinto muito, pois o lula fala o que quer, e a gente entende o que quer e isso vai do que cada um entende, por exemplo, um funcionario publico concursado que faz seu serviço de forma porca e desonesta, nao é diferente do mal politico, e esse pode ser tirado nao se elegendo, o desgraçado do concursado pode passar o resto da vida, tocando mal, sem estudar e ninguem pode fazer nada.

    1. Sem dúvida nenhuma esse tipo de funcionário existe, mas o Lula não poderia generalizar dessa forma.
      Por outro lado, pensar que o mau político é assim tão facilmente excluído é bastante ingênuo. Temos dezenas de exemplos de péssimos políticos se perpetuando no poder.
      E concursado pode sim ser demitido, mas raramente se vê vontade política de fazê-lo.

      “…o artigo 41 da Constituição Federal prevê que os servidores nomeados para cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público são estáveis após três anos de efetivo exercício. O mesmo dispositivo legal também preceitua que o servidor público estável poderá perder o cargo em três hipóteses: em virtude de sentença judicial transitada em julgado, por processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa, e mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma de lei complementar, assegurada ampla defesa.”

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