Polissemia ao contrário ou da diferença inexistente entre orquestras sinfônicas e filarmônicas ou, ainda, entre choros e bachianas brasileiras de Villa-Lobos

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Pierre Lévy

Um dos grandes problemas enfrentados pelos cientistas comandados por Pierre Lévy rumo a seu intento de implementar uma web semântica (não sei por que essa ideia me fascina tanto) é, com certeza, o das palavras diferentes que designam uma mesma coisa, numa espécie de polissemia ao contrário ou, se preferirem, sinonimia. Mas não falo aqui de temos universalmente reconhecidos como equivalentes. Antes, me ocupo daquelas palavras que, ao designarem uma mesma coisa, sugerem coisas diferentes. Como orquestras sinfônicas e filarmônicas. Ou os Choros e as Bachianas Brasileiras de Heitor Villa-Lobos (1887-1959). O caso das orquestras é auto explicativo e, portanto, dispensa comentário.

Nas peças de Villa-Lobos, há muito mais diferença entre peças agrupadas em coleções designadas por um mesmo nome (choros ou bachianas brasileiras) do que entre os conjuntos das existentes em cada coleção. Pouco importa, então, se o compositor quisesse, ao escolher um título, sublinhar a índole popular ou o contraponto de Bach encontrados em cada obra. Até por que ambos os idiomas são formadores indissociáveis de sua técnica.

Noutras palavras, as Bachianas Brasileiras e os Choros de Villa-Lobos resistem a qualquer categorização tanto quanto à instrumentação com à duração ou forma – já que encontramos, em ambas as coleções,

desde solos (Choros #1, para violão, e #5, para piano) e duetos (Choros #2, para flauta e clarineta, e Bachianas Brasileiras # 6, para flauta e fagote) até orquestras expandidas, bandas e grandes corais;

tanto miniaturas (como o Choros #2, de apenas dois minutos e meio) como obras colossais, em vários movimentos (como o Choros #11, para piano e orquestra, que leva em torno de uma hora para ser executado);

formações instrumentais exclusivas (i.e., pouquíssimo ou nada utilizadas por outros compositores) como, por exemplo, a orquestra de violoncelos utilizada nas Bachianas Brasileiras #1 e #5.

E por aí afora. A música, em suas tantas categorizações, é território dos mais férteis para confusões decorrentes dessa espécie (até o advento de termo mais adequado) de polissemia ao contrário. Pois, convenhamos, calabouços semânticos de uso disseminado tais como concerto, sonata, balada e afins não ajudam muito.

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Heitor Villa-Lobos

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