Das máquinas impossíveis, ou Sobre a credulidade

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A credulidade é o motor da religião e da política. Até não é nenhum exagero afirmar que ambas vivam, de fato, da credulidade popular. A credulidade também é a principal responsável pela validação de todo boato ou teoria conspiratória.

Quando perguntei no facebook quais os maiores boatos dos quais já se ouviu falar, o mais engraçado (obrigado, Ricardo Anderson !) que levantei foi sobre um show gratuito dos Rolling Stones em Pelotas.

Aqui, estamos interessados num tipo particular de boato, de natureza tecnológica, que tem a ver com a busca, validação ou implementação – de boa ou má índole – de engenhos cientificamente impossíveis. Como nos casos abaixo.

Por volta dos anos 70 – muito antes, portanto, da internet ! – circulavam revistas com resenhas e projetos eletrônicos. Como Áudio ou Nova Eletrônica. Nelas, invariavelmente saía, na edição do mês de abril, uma pegadinha patrocinada pelo enigmático Dr. Lirpa. Uma das mais famosas foi uma agulha e uma cápsula fonográficas acopladas a um minúsculo veículo autopropelido sobre rodas que transmitia o sinal captado por ondas de rádio. O conjunto percorria em círculos o sulco de um LP imóvel. O toque de genialidade é conferido pelas bolinhas coloridas nas antenas.

Lirpa 1Custei a escrever este post, pois não achei na web qualquer registro das criações do Dr. Lirpa. Foi quando recorri a alguns amigos nerds de plantão. José Agustoni doara toda sua coleção de Nova Eletrônica à UFRGS. Marcos Abreu foi quem me socorreu com fotos de seus exemplares de arquivo. Notem que Lirpa era, além de excelente maquetista, também um ótimo desenhista.

Lirpa 3Me pergunto que fim teria levado em tempos de CAD. Como comentário a minha postagem de seu resgate das engenhocas de Lirpa, Marcos também anexou, como comentário, esta ótima releitura do engenhoso pickup fonográfico.

A bicicleta que condensava água a partir do vapor do ar enquanto o ciclista pedalava fez sucesso entre eco entusiastas de toda sorte. Até o Huff Post caiu, tanto em sua edição inglesa como na norte-americana.

ecobike 2ecobike 1Quando menos se espera, acontece perto da gente. Ao que tudo indica, um próspero e conhecido empreendedor investiu pesado na construção, na zona norte de Porto Alegre, de uma máquina de moto perpétuo. Mais especificamente, um gerador de energia a partir da força gravitacional. Sério. Confiram neste site e neste video (uma cópia do site; ainda não entendi o por que do raggae tocando de fundo aos slides…). Felizmente, a farsa (ou a estupidez), que chegou a ganhar o mundo, já foi desmascarada em mais de um site de demolidores de mitos. Como aqui, aqui e aqui.

A mais monumental das máquinas impossíveis, posto que foi efetivamente implementada e (a julgar pelo imperdível filme de época no final do post) testada, consumindo amplos recursos, foi um trem propelido a jato, que chegou a andar experimentalmente na união soviética nos anos 30. Assim que descobri, postei comentando que a coisa não deveria fazer uma curva a mais do que uns 60 km/h sem sair dos trilhos. Notem que as turbinas ficavam na frente e NA PARTE MAIS ALTA do veículo. Sorte que não chegaram a testar com passageiros.

jet train 1

5 respostas para “Das máquinas impossíveis, ou Sobre a credulidade”

        1. Perfil lotado; não consigo curtir nem comentar postagens; mas já estou seguindo.

          Tb gosto de câmeras antigas; tenho várias de fole.

          Tenho um amigo, Marcos Abreu, engenheiro eletrônico, que tb é louco por relógios. E canetas tinteiro. Foi por meio dele que conheci as invenções do Dr. Lirpa.

          És aviador ?

          1. Olá!
            Gosto das tecnologias do passado, também gosto muito de câmeras fotográficas antigas.

            Não sou aviador. No meu ofício projeto e construo simuladores de voo utilizados para treinamento de pilotos comerciais.

            Abs!

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