Anotações sobre a crítica musical de Bernard Shaw (ii): goatbleat

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Dentre as melhores partes da crítica musical de Bernard Shaw está, certamente, ao final de uma longa crônica, publicada em 10 de janeiro de 1890 e se dirigindo (em tom aforístico, como lhe era de costume) a cantores e atores, em que cunha a formidável expressão goatbleat. Traduzindo, o que o Bassetto diz é mais ou menos o seguinte:

[…] Eu não era então acostumado ao hoje felizmente obsoleto método vocal chamado goatbleat (berro de bode); […]

[…] Não são raros os casos de cantores e falantes experientes perderem toda a confiança em seus velhos métodos em novas e alarmantes condições acústicas. Quando isto acontece, começam a berrar francamente, […] Atores e cantores que tenham vozes pequenas devem lembrar que seu problema é se fazerem ouvidos e, de modo algum, soarem alto (loud). Loudness é o pior defeito de qualidade que qualquer voz, grande ou pequena, pode ter.

* * *

Dia desses, intrigado, perguntei a um de meus filhos por que preferia, aos canais de TV a cabo que lhe eram disponíveis, invariavelmente videos postados no youtube. De pronto, me respondeu que pela liberdade de escolha de conteúdos. Fez sentido.

A princípio, desdenhei o tempo gasto vendo outros (que depois me inteirei se chamarem youtubers) postarem em vlogs recortes de seu dia-a-dia ou, simplesmente, partidas de videogames comentadas (!). Confrontado com as enormes quantidades de seus seguidores, questionei os números declarados. A discussão parou por aí. Mas isso foi meses atrás.

Anteontem, ele quis (!) que eu visse uns videos que ele garimpara, independentemente de recomendações, apenas buscando por palavras-chave. Tive que dar o braço a torcer: não via nada tão engraçado na TV há tempos. O que ele me mostrou ? Talvez as melhores realizações até hoje, mais de 100 anos depois (!), da metáfora imaginada por Shaw. Confiram:

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