A propósito do Homem Formiga

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Homem Formiga 4

Dentre as melhores coisas das férias escolares está certamente cada nova safra de filmes voltados aos pequenos. Tem para todos os gostos. De sagas como as de Harry Potter ou do Senhor dos Anéis a clássicos de animação da Pixar ou da Dream Works. Conforme crescem, começam a desenvolver (os pequenos) preferências bem específicas. Arthur se encontra nesta fase. De sorte que sou entusiasticamente convidado para estreias de cada distopia (um de seus sub-gêneros favoritos, que inclui blockbusters como Maze Runner e a série Jogos Vorazes) ou novo filme da Marvel ou da DC comics.

Neste contexto, fui conhecer, anteontem, o novo herói da Marvel. Novo ? Isto mesmo – pois, como me informou Arthur, o Homem Formiga, ao contrário de predecessores como o Homem Aranha, os Vingadores ou o Quarteto Fantástico, só foi lançado pela marca de Stan Lee há poucos anos atrás. O que faz dele, senão o primeiro, ao menos o mais proeminente protagonista criado pelo mago dos comic books depois do advento da internet. Poderia ficar só nisso. Mas não. O homem que veste a fabulosa armadura miniaturizante (notem que a ideia, longe de ser original, já costurava a narrativa em seriados como Viagem Fantástica ou Terra de Gigantes) não é, como Peter Parker, Tony Stark ou o Homem Elástico (isto é novo!), um “homem de bem”, seja ele estudante ou cientista brilhante ou, simplesmente, um milionário.

O escolhido pelo criador do poderoso traje (a personagem vivida por Michael Douglas) é, ao contrário de todo herói da Marvel anterior a ele, um fora da lei. Um hacker que, assim como seus simpáticos ex-colegas presidiários, jamais infligiu maus tratos a qualquer ser humano, tendo sido recluso exclusivamente por roubar dos mais ricos (o grande capital corporativo, neste caso) para distribuir aos mais pobres. Relativizando e banalizando, portanto, um ataque, até então condenável, à propriedade, numa perfeita reedição do mito de Robin Hood – que, respeitadas as nuances de cada época, fazia rigorosamente o mesmo.

Isto importa ? Acho que sim. De que maneira ? Ainda não sei muito bem. Nem estou, aliás, preocupado com isto – já que a história do homem que encolhia ainda será muito comentada – a começar por prometer, na sequência (e não sei com que grau de ineditismo), um verdadeiro filé psicanalítico, a saber, a heroína convocada pelo próprio pai a assumir o lugar da mãe. Duvido que qualquer lacaniano que se preze resista a isto.

Evangeline Lilly 3

4 respostas para “A propósito do Homem Formiga”

  1. O Homem-Formiga foi uma das mais importantes criações da Marvel e data do início dos anos 1960, sendo junto com a Vespa um dos membros fundadores dos Vingadores. O primeiro Homem-Formiga, Hank Pym (que foi interpretado pelo Michael Douglas), é um cientista e permanece um dos principais personagens nas HQs ainda hoje, porém com outros codinomes. O Scott Lang (homem-formiga do filme) surgiu no final dos anos 1970.

  2. Na verdade o Homem-Formiga é um personagem antigo da Marvel, tanto que ele é um dos fundadores da primeira equipe de Vingadores. Todavia, nesta época, era Hank Pym que vestia o uniforme. Scott Lang sim, é mais recente, mas é um personagem de meados dos anos oitenta…

    1. Repito o agradecimento que já fiz pelo comentário de Peter: obrigado, Ricardo, pela importante correção. Então, o herói infrator NÃO é, como eu supunha, uma novidade pós-web no elenco da Marvel ?

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