Celebrem o Dynamic Range Day !

compression 1

É bem pouco provável que qualquer de meus leitores (exceto, talvez, o Bruno e o Marcos) saiba do que se trata o Dynamic Range Day (DRD), comemorado por uns poucos entusiastas, não sei desde quando (seria interessante averiguar !), a cada 27 de março. Isso mesmo. Hoje. Então, tenham paciência se sou, aqui, meio didático.

O Dynamic Range Day (numa tradução tosca, dia da gama dinâmica) é uma iniciativa utópica, compartilhada por engenheiros, técnicos e, supostamente, músicos e audiófilos, que defende a preservação, em gravações e difusão de áudio, da gama dinâmica (i.e., a diferença de volume entre sons fracos e fortes). A ideia por trás do movimento está em combater a alta compressão, na gravação, broadcasting – e, deste dias atrás, também o narrowcasting, representado por nada menos do que a maior rede de compartilhamento de videos existentes na web. Isso mesmo: o YouTube, que passou da comprimir, de uma hora para outra, por default, o som de tudo o que nele é postado. O anúncio do novo protocolo chegou a ser considerado uma batalha perdida na Loudness War.

Ok. Compressão talvez também seja um conceito ainda meio estranho para alguns leitores. Vamos lá.

Tomemos o “espaço” máximo de som que pode ser ouvido num dado sistema. Se o som é comprimido, significa que sua parte mais fraca (dita de baixa dinâmica) é eletronicamente amplificada a fim de se aproximar, em volume ou, se quiserem, barulho, de sua parte mais forte (as altas dinâmicas). Só que o processo agrega ao som resultante um fenômeno conhecido como distorção. Que é percebida, por sua vez, como certa perda de detalhe nos sons mais tênues e harmônicos mais agudos.

In short, compressão é indesejável em toda gravação que se pretenda de certa forma fiel à realidade acústica do que é gravado. Só que pouca gente sabe disto. Na contramão, conspiram as agonizantes (sim, sei que há controvérsias sobre isto !) indústrias fonográfica e da mídia hegemônica (i.e., emissoras e canais de rádio e televisão). E, é bom lembrar, desde a semana passada, também o YouTube.

Particularmente, entendemos a Loudness War é um fenômeno essencialmente decorrente dos modos como se ouve música em cada época. Antes, a música era descoberta em salas de concerto (a clássica), clubes, bares e cafés (a popular) ou rádios ou vitrolas ouvidos em ambientes relativamente silenciosos. Hoje, a música é projetada para ser ouvida em dispositivos móveis usados em ambientes ruidosos por definição. Então, é natural que emissoras e canais comerciais comprimam conteúdo a fim de disputar a atenção de ouvintes em ambientes em que loudness (não sei traduzir) é primordial. Natural, também, então, que o pouco que resta da indústria da música se esforce para oferecer música cada vez mais comprimida.

Quando se reuniram para promover uma consciência mais pública, não restrita aos círculos técnicos, sobre esta tendência tão nociva à música, engenheiros e técnicos de áudio, suponho que ingleses, idealizaram um concurso no qual premiam, anualmente, gravações nas quais são utilizados os menores índices mensuráveis de compressão. Não sei muito bem como fazem isto. Perguntem pro Marcos.

compression 2