FAQ

Compartilhe este texto:

Por que retomei este blog ?

Desde que iniciei o impromptu, em 2010, minha necessidade de atualizá-lo variou bastante, de postagens bem frequentes a muito eventuais até o completo silêncio a partir de 2012, agora interrompido. Tais oscilações de devem, muito mais do que a qualquer alteração de humor ou impulso expressivo, à evolução de minha compreensão das redes sociais.

Nunca frequentei o orkut e me deslumbrei com o twitter logo que o conheci. Não tardei, no entanto, a me dar conta de que precisava de um ambiente mais espaçoso para desenvolver certas ideias com a extensão que mereciam. Criei, então, o impromptu, me dedicando a alimentá-lo vagarosamente.

Ao descobrir o facebook, me espantei com o enorme contraste entre a repercussão ampla e rápida de ideias ali postadas e aquelas postadas em blog independentes de visitação discreta. Ora, blogs são totalmente supérfluos face à alta responsividade inerente à plataforma de Zuckerberg – a qual passei a ter, então, como espécie de ambiente ideal tanto para o aglutinamento quanto para a colisão de ideias, em que pese sua falta de espaço para argumentações mais demoradas.

Tenho, pois, o blog perfeito (i.e., um que tenha como principais atributos a criação e preservação de uma identidade virtual (função primordial de um blog) e, ao mesmo tempo, a maior conectividade possível entre seu autor e outros sujeitos) como um backup do perfil de seu autor no facebook. Ao menos em teoria. Na prática, ouço muito falar, em associação à suposta efemeridade da plataforma, de um descarte sistemático pela mesma de postagens menos atuais. Curioso, fiz o seguinte experimento: tentei descobrir até que ponto do passado conseguiria recuperar o que já postara em meu perfil. Desisti depois de buscar, com êxito, tudo o que ali publiquei por mais de dois anos. Dado por satisfeito, permaneci confortavelmente blogless por mais um bocado de tempo.

So what ? Penso que a opção por manter um blog tenha a ver, sobretudo, com a teoria do discurso segundo Bakhtin. Mais especificamente, com o tamanho de cada enunciado enquanto unidade de discursiva.

Na era da palavra impressa, o mundo se dividia claramente entre leitores e autores, os maiores dentre os últimos invariavelmente aqueles que se dedicaram com maior êxito às grandes formas monológicas. Falo aqui dos grandes romances, das peças teatrais ou, na música, da sinfonia e da ópera. Fora desse círculo restrito, nada restava a autores menores senão cair nas graças de editores que lhes facultassem uma coluna ou páginas de alguma antologia. Do outro lado da barreira editorial, meros leitores que, por força do desuso, cultivavam a linguagem escrita, quando muito, a um nível funcional. Senão, quem, dentre os não nativos digitais, escreveu ou escreve habitualmente, depois de ter redigido sua última redação escolar ou texto acadêmico, algo de dimensão maior do que a de um parágrafo ?

Um dos principais efeitos já conhecidos da revolução digital é a expansão da autoria. Hoje, é facultado a todo autor que jamais escreveu, fora de ambientes educacionais, nada maior do que um bilhete a emissão de enunciados em frequência e intensidade sem precedentes na era da palavra impressa e em contextos que variam dos mais fechados (como mensagens a indivíduos ou grupos) aos mais abertos (como postagens em redes sociais). Paralelamente ao crescimento do número de autores, houve uma redução sistemática da extensão das unidades discursivas. Do blog à postagem média no facebook (a plataforma oculta enunciados com mais de quatro ou cinco linhas) aos 140 caracteres do twitter às linguagens de nicho altamente compactas das mensagens SMS. De tal modo que deve ser inevitável a quem quer que ainda cultive grandes formas uma sensação de habitar outro planeta. Como se, durante o tempo de gênese de um romance, seu autor perdesse, necessariamente, algo do que acontece a seu redor. Também não há muitos compositores se dedicando, atualmente, a sinfonias, concertos, suítes ou outros gêneros em vários movimentos.

Não sei se isto responde à sua pergunta. À minha, não. Talvez mais adiante neste blog.

Por que vim para o Sul21 ?

Esta é bem fácil: primeiro, pela qualidade dos vizinhos de condomínio: ótimos escritores, vários deles meus amigos, e outros tantos que apreendi a admirar de longe; segundo, em busca de uma audiência maior, é claro.

Do que falarei aqui ?

Outra fácil: música, política, cibercultura e afins. Ou, se preferirem, de tudo menos futebol.

Moderarei comentários ?

Não. O que mais detesto, em qualquer comunidade discursiva, é a ausência de contraditórios. Por isso, não gosto de pertencer a bolhas discursivas, povoadas por likeminded people a pensar de modo semelhante. Ao contrário, penso que nada valorize mais qualquer enunciado do que reações violentas ao mesmo, independentemente de inteligência ou calão. Por isso, entrei aqui para ser espancado, na esperança de que toda ira suscitada sirva para melhor propagar o debate em torno de ideias que eu julgue por bem ventilar.

Com que frequência atualizarei este blog ?

Quando pedi ao Milton que hospedasse meu blog adormecido, a única coisa que me perguntou foi se conseguiria atualizá-lo ao menos uma vez por semana. Tenho tentado me acostumar com a ideia desde então.

Quem sou ?

Músico por formação e professor por ofício, metido a fotógrafo, cozinheiro, filósofo e escritor.

 

2 respostas para “FAQ”

  1. Aqui não tem botão curtir, então um manifesto “que bom”.
    Desde a “crise dos blogs” sempre defendi que o formato blog jamais acabaria, apenas a blogosfera, que de fato acabou e era meio que uma bobagem.
    Texto é texto, formato é detalhe.
    Parabéns pela volta.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *