Políticos demais (iii): anotações para uma reforma política

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É em períodos que antecedem eleições que mais tenho ganas de publicar. Não que espere algum real progresso em atos governamentais dos vencedores dos próximos pleitos. Que fique claro: os próximos governos e legislaturas estão perdidos quaisquer que sejam os candidatos, todos eles políticos profissionais, a vencerem as próximas eleições. Em vez disso, tenho em mente um futuro mais distante de mudanças institucionais capazes de banir do estado brasileiro toda sua maldita herança de corrupção, incompetência e favorecimentos.

Nossa sociedade é fundada sobre operações mediadas pela internet. É por meio dela que nos manifestamos, informamos e realizamos a maioria das transações comerciais e financeiras. De sorte que não haverá objeção alguma à tese de que a web  transformou significativamente as esferas do conhecimento, da cultura, da economia, da educação e da arte. Estranhamente (ou, como prefiro pensar, não), para a política e a gestão de quase tudo o que é público, é como se a internet jamais houvesse existido.

Senão, para que se sustentar numerosas e onerosas instituições parlamentares (aí incluídos todos os salários e vantagens de parlamentares mais os custos de gabinete) quando já é tecnologicamente possível à justiça eleitoral auscultar populações inteiras em relação a proposições específicas ? Ou, dito de outro modo, não é mais preciso, numa sociedade conectada, eleger e remunerar representantes para legislar. Simples assim.

Por isto, ante a impossibilidade de abolição imediata tanto da democracia representativa como da nomeação de gestores públicos por governantes eleitos (o problema da confiança nos CCs), é preciso apoiar candidatos comprometidos com tais causas. Os quais, por incrível que pareça, existem. Ou assim gosto de acreditar.

* * *

Atualização em 25/01/2017: este texto dialoga com um de André Egg, publicado ontem, A importância de orquestras e sua manutenção, e com outro mais recente de minha autoria, Para que servem orquestras ? Por que sua existência deve ser garantida pelo estado ?

Uma resposta para “Políticos demais (iii): anotações para uma reforma política”

  1. Já ouviu falar em maiorias esmagando minorias? A democracia direta tem efeitos colaterais nada desprezíveis.
    Um pouco de teoria política não faria mal num assunto tão sério.
    Experimente uma consulta aos pagadores de impostos se a maioria concorda em manter a OSPA, por exemplo.

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